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terça-feira, 8 de novembro de 2016

CIDADÃO DE BEM?!

Muito se fala, pouco se argumenta. Na verdade, o que é ser um “cidadão de bem” atualmente na sociedade brasileira? O que nos leva a usar esse termo? Em que situação devemos colocar esse termo em confronto direto com outro?
Vivemos dias em que o preconceito e o ódio de muitas pessoas está ganhando espaço em diversos locais, sendo muitas vezes expostos nas redes sociais. Racismo, ondas de discriminação demasiadas, intolerância generalizada, ódio contra movimentos sociais, são algumas das muitas mazelas encontradas no caráter de vários brasileiros que se dizem “cidadãos de bem”; estigmas esses facilmente encontrados em pleno século XXI, conhecido por ser o século da “informação gratuita”.
Mas com todos estes problemas, por que o uso do termo “cidadão de bem”? Costuma-se usar esse termo para definir as pessoas que se enquadram nas seguintes características: ser contra a violência, contra qualquer tipo de ação que esteja fora dos padrões éticos e morais da heterossexualidade, ser machista, são alguns dos atributos necessários. Contudo, pode-se enquadrar também alguns indivíduos que não necessariamente tenham que ter todos esses traços, mas que estejam ligados a no mínimo alguns.
O grande problema nestes que se dizem ser “os cidadãos de bem” da sociedade, é que expressar tal colocação, automaticamente vai criar um gueto, ou seja, vão formar grupos sociais e excluir quem não se encaixa nele. Decerto, o principal problema nessa fala é a própria palavra, que intriga bastante quem não se encaixa nesse conglomerado: se você não é um cidadão de bem, você é um mau cidadão?
Outro grande problema nessa colocação é a grande hipocrisia cometida por muitos dos que se dizem “cidadão de bem”. Ora, se um cidadão de bem é aquele que é contra a violência, por que à praticam de forma tão explícita, uma vez que há uma exclusão do seu grupo das pessoas que pensam diferente? Por que os “cidadãos de bem” deixam claro nas redes sociais, por exemplo, que não respeitam as diferenças, que praticam preconceito em quem não se enquadra nos padrões criados por eles, que discriminam e evidenciam o ódio que sentem das pessoas que lutam para mudar algumas culturas ainda presentes na sociedade, como o machismo? Por quê?
O “lutar contra a violência” seria a que eles não praticam? “Cidadãos de bem” só seriam apenas aqueles que pensam desta forma? A pluralidade de pensamento não deve ser respeitada?
Desta forma, vemos claramente as contradições que os “cidadãos de bem” comentem, já que criticam ações que eles mesmo cometem. A principal falha moral dessas pessoas é não saber respeitar as diferenças, agindo da forma mais violenta possível contra aqueles que tem pensamentos discordante.

Quem é o mau cidadão afinal?!

quinta-feira, 3 de novembro de 2016

Cotidiano

Foto: David Luis
Vamos imaginar uma situação: Você é um jovem, mora na periferia, teve acesso à escola mas não à educação, sempre viu seus pais chorarem por não conseguir suprir as necessidades básicas, teve a vida sexual iniciada precocemente, nunca teve aula sobre educação sexual e prevenção, graças ao meio cultural no qual está inserido foi sempre estimulado a buscar ostentar o que não tem e invejar quem tem, arruma bicos para satisfazer tal prazer consumista, graças ao estereótipo "ostentativo". Consegue uma mina, mas você não sabe pra que serve o preservativo - "é coisa de playboy"- a mina engravida. E agora? Você ainda não concluiu o Ensino Médio, não sabe usar um computador? "Qualé moleque? Vai fazer um curso!", "Sem experiência e currículo recheado não trabalha!". Mas você vê no metrô uma oportunidade de gerar uma renda, vendendo pipocas, confeitos, etc... Coisa pouca, só pra comprar umas roupas pro bebê que tá vindo! 

Mas aí é onde encontra-se o problema, você não gera capital para a CBTU, isso não pode!! Sua mercadoria é apreendida e você é tratado como traficante! E agora? Como pagar a grana que você pegou emprestada pra comprar a mercadoria? E as parcelas do cartão que você comprou o berço? E as roupas da marca que aquele MC usa? Como vai comprar? Você agora é tratado como vagabundo, é excluído da sociedade, "Você não trabalha porque não quer!"... Mas aí, aquele carinha que sempre anda na "beca" te oferece uma oportunidade: "vai fazer uns corres, mas cuidado com a polícia"; você agora tem a atenção do governo, mas se te pegarem você vai parar nos campos de concentração do século XXI. Mas saiba: "foi você quem escolheu esse caminho; E não, não foi por falta de opção!" Na guerra pela boca de fumo você vira estatística, a imprensa tira fotos e te chama de traficante no jornal da manhã seguinte, a sociedade comemora: "bandido bom é bandido morto", "se tivesse procurado emprego não estaria desse jeito", "ele que escolheu a vida fácil".

Seria muito bom se isto fosse apenas fruto da imaginação, né? A realidade bate à nossa porta! A criminalidade não é apenas fruto de meras escolhas individuais, é fruto do sistema ao qual estamos inseridos e somos submissos, e graças a fatores e determinantes sociais a criminalidade é uma escolha atrativa... Mas é mais fácil adotar um sistema punitivo e pedir a morte de quem sofre tais pressões sociais, não é? A superficialidade é o conforto dos ignorantes!

Enquanto educação for segundo plano, não existe primeiro plano!

Enquanto não houver igualdade social, a sociedade sempre estará em crise.



PS.: - Não estou defendendo quem entra pro mundo do crime, apenas explano o que leva muitos à entrar nesse mundo.

- Texto inspirado numa situação específica que presenciei no metrô e certamente acontece diariamente.

- E sim, o excesso de ambulantes num metrô que por si só já é falho e desorganizado é errado, mas, mais errado ainda é a forma com que tratam os ambulantes. A regularização e organização dos mesmos é a solução!