Muito se fala, pouco se argumenta. Na verdade, o que é
ser um “cidadão de bem” atualmente na sociedade brasileira? O que nos leva a usar esse termo? Em que situação devemos colocar esse termo em
confronto direto com outro?
Vivemos dias em que o preconceito e o ódio de muitas
pessoas está ganhando espaço em diversos locais, sendo muitas vezes expostos
nas redes sociais. Racismo, ondas de discriminação demasiadas, intolerância
generalizada, ódio contra movimentos sociais, são algumas das muitas mazelas
encontradas no caráter de vários brasileiros que se dizem “cidadãos de bem”; estigmas esses facilmente encontrados em pleno século XXI, conhecido por
ser o século da “informação gratuita”.
Mas com todos estes problemas, por que o uso do termo
“cidadão de bem”? Costuma-se usar esse termo para definir as pessoas que se
enquadram nas seguintes características: ser contra a violência, contra
qualquer tipo de ação que esteja fora dos padrões éticos e morais da
heterossexualidade, ser machista, são alguns dos atributos necessários.
Contudo, pode-se enquadrar também alguns indivíduos que não necessariamente
tenham que ter todos esses traços, mas que estejam ligados a no mínimo alguns.
O grande problema nestes que se dizem ser “os cidadãos
de bem” da sociedade, é que expressar tal colocação, automaticamente vai criar
um gueto, ou seja, vão formar grupos sociais e excluir quem não se encaixa
nele. Decerto, o principal problema nessa fala é a própria palavra, que intriga
bastante quem não se encaixa nesse conglomerado: se você não é um cidadão de
bem, você é um mau cidadão?
Outro grande problema nessa colocação é a grande
hipocrisia cometida por muitos dos que se dizem “cidadão de bem”. Ora, se um
cidadão de bem é aquele que é contra a violência, por que à praticam de forma
tão explícita, uma vez que há uma exclusão do seu grupo das pessoas que pensam
diferente? Por que os “cidadãos de bem” deixam claro nas redes sociais, por
exemplo, que não respeitam as diferenças, que praticam preconceito em quem não
se enquadra nos padrões criados por eles, que discriminam e evidenciam o ódio
que sentem das pessoas que lutam para mudar algumas culturas ainda presentes na
sociedade, como o machismo? Por quê?
O “lutar contra a violência” seria a que eles não
praticam? “Cidadãos de bem” só seriam apenas aqueles que pensam desta forma? A
pluralidade de pensamento não deve ser respeitada?
Desta forma, vemos claramente as contradições que os
“cidadãos de bem” comentem, já que criticam ações que eles mesmo cometem. A
principal falha moral dessas pessoas é não saber respeitar as diferenças,
agindo da forma mais violenta possível contra aqueles que tem pensamentos
discordante.
Quem é o mau cidadão afinal?!
